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Corporações // Apresentação sumária dos CBs (enfoque no período)

• BVL       Bombeiros Voluntários de Lisboa

• BVA      Bombeiros Voluntários da Ajuda

• BVL      Bombeiros Voluntários Lisbonenses

• BVCO    Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique

• BVCM   Bombeiros Voluntários da Cruz de Malta

• BVBO       Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais

• BVCR       Bombeiros Voluntários de Cabo Ruivo

BSB - Batalhão de Sapadores Bombeiros (designação desde 1988: RSB-Regimento de Sapadores Bombeiros)

 

O mais antigo, maior e mais bem equipado Corpo de Bombeiros (CB) em Portugal, foi sempre a mais significativa referência nacional do sector. As suas origens e tradições remontam ao Séc XIV, tendo conduzido em 1852 ao modelo de uma unidade profissional especializada, inserida da CML-Câmara Municipal de Lisboa. Esta solução organizativa, inspirada no Bataillon de Sapeurs Pompiers de Paris (criado em 1811), daria mais tarde origem ao CBML-Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa.

 

Em 1930 teve lugar uma importante reestruturação do CBML, mediante a criação do BSB-Batalhão de Sapadores Bombeiros (que daria lugar por sua vez, em 1988, ao RSB-Regimento de Sapadores Bombeiros). O enquadramento do CBML/BSB/RSB num órgão da Administração do Estado (com estatuto militarizado embora mas mantendo jurisdição camarária, no que respeitou ao BSB e ao RSB até 1992) teve importantes repercussões na capacidade de erguer e manter um importante dispositivo operacional, com destaque para um parque de viaturas comparativamente ímpar em Portugal, em termos qualitativos e quantitativo, ao longo de todas as épocas da sua história desde então. A localização dos seus quartéis variou muito ao longo do tempo em quantitativo, qualidade e posicionamento.

 

Tal como em todo o mundo os meios móveis mais antigos deste CB foram de tracção braçal e hipomóvel. A primeira etapa de motorização deu-se mediante a introdução de algumas viaturas ligeiras, adaptadas casuística e semi-artesanalmente, a partir de chassis comerciais comuns (vulgo turismo), datando a primeira destas de 1905 (para transporte de pessoal de comando, nesta data) e cuja vida útil, após reconversão operacional, se prolongou até 1930.

 

Os anos 20 testemunharam a aquisição das primeiras viaturas especialmente montadas de origem para serviço de Bombeiros, as quais coexistiriam durante alguns anos ainda com meios de tracção braçal e animal. Tal aconteceu com o aumento ao efectivo, em 1925/1927, de 6 escadas mecânicas (corpo de escadas em madeira; 4 viaturas com escada de 25 m e 2 viaturas com escada de 30m) e ainda de um pronto-socorro (tipificado como Auto-Bomba), todos adquiridos à firma Magirus. Seguir-se-iam duas épocas de ouro na história da modernização dos meios deste CB: anos 30 e anos 50.

 

A primeira etapa da primeira fase (anos 30) deste longo processo, tecnicamente mais homogénea e também temporalmente mais concentrada, traduziu-se na encomenda em 1929 de um conjunto de 29 viaturas ligeiras e pesadas, topos de gamas à época, com equipamento Carl Metz sobre chassis Mercedes-Benz: 7 viaturas de comando (2 tipologias), 5 pronto-socorros ligeiros (viaturas de reconhecimento e chefia operacional), 15 pronto-socorros pesados e 2 auto-tanques pesados. Estes veículos entraram ao serviço em 1930/31 e constituíram o núcleo duro de meios-auto do BSB até cerca de 1956. Em complemento ao precedente (segunda etapa) adquiriu ainda o BSB um conjunto de 19 viaturas sobre chassis Morris Comercial (15 de 2,5 Ton e 4 de menor porte; no todo de 8 tipologias diferentes), vocacionadas para transporte de pessoal e intervenção técnica especializada, incluindo 6 veículos no âmbito do que então se designava por Defesa Civil. Este reforço de meios entrou a serviço entre 1936 e 1937, tendo as correspondentes unidades sido progressivamente abatidas entre 1951 e 1970.

 

Na década de 40, para além de algumas viaturas de apoio adquiridas, apenas um escasso número de viaturas operacionais foi aumentado ao efectivo: 1 AM e um PSR (ambos sobre chassis Diamond T, de 1940) e ainda 1 AEM (Metz/Mercedes Benz de 30+2 m, com estrutura metálica) em 1949. Uma AM Dodge 4x4 do Exército Português (sem imagem disponível nesta plataforma) foi recebida em 1946, a título de doação. Presume-se no entanto que tenham tido ligar diversas encomendas no final da década, com entregas a partir de 1950/51.

 

A segunda fase muito significativa no esforço de modernização do BSB decorreria ao longo da década de 50, tendo envolvido a aquisição de material de variadas tipologias, sobre chassis originais Ford, Magirus, Bedford e Opel e ainda (em menor escala) Morris, Austin, Willys, Land Rover, MAN, GMC, Fordson, Chevrolet, DAF, DKW e REO. De entre um total de cerca de 65 viaturas então adquiridas  salientam-se 4 AEMs novas (já com corpos de escada metálicos, bem como viaturas portadoras de agentes extintores especiais e ainda veículos de apoio técnico e de primeira intervenção especializada. Alguns destes excelentes meios operacionais entraram a serviço numa primeira etapa, que decorreu entre 1950 e 1955.

 

No entanto a aquisição mais significativa desta fase (anos 50) respeitou, numa segunda etapa, à aquisição de um lote de 20 viaturas pesadas Ford V8 Big Job, das quais: 10 APS (Ford F-750) com entrada a serviço em 1956 e 5 AT (Ford F-800), a serviço desde 1958. Os abates deste material tiveram lugar entre 1973 e 1979, assinalando-se que muitas destas unidades foram então cedidas a CBV, em Lisboa e não só. A primeira parte do vídeo recolhido no YouTube que aqui se referencia é elucidativa da variedade dimensão do parque automóvel do BSB nos anos 50 do passado século.

 

O BSB criou em 1929 o que viria a ser um dos melhores Museus de Bombeiros da Europa, cujo fundo museológico é também dos mais significativos à escala mundial. Infelizmente o museu, dotado em 2004 de amplas instalações que albergavam a maior parte do seu fundo museológico, incluindo mais de 40 viaturas automóveis entre acervo exposto e reservas, foi encerrado em 2015 sem previsão de data de reabertura ou garantia de continuidade (vide referência específica na página de abertura).

 

 

 

Referª 1: Mónica da Anunciata Duarte de Almeida (Coord.); Bombeiros Profissionais | Museu do Bombeiro, Lisboa 1997

Referª 2: Manual do Sapador Bombeiro; CML; Lisboa 1943

Referª 3: F. H. Santos (Coord.); Bombeiros Portugueses-seis séculos de história (2 vols).SNB/LBP, Lisboa 1995

Referª 4: R.Metzger: 150 Jahre Metz. Konkordia Verlag, Stuttgart 1992

Referª 5: http://www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros/o-rsb

Referª 6 U. Paulitz: Mercedes-Benz*Fuerwherfotoalbum. Kosmos, Stuttgart 2000

 

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