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Corporações // Apresentação sumária dos CBs (enfoque no período)

• BVL       Bombeiros Voluntários de Lisboa

• BVA      Bombeiros Voluntários da Ajuda

• BVL      Bombeiros Voluntários Lisbonenses

• BVCO    Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique

• BVCM   Bombeiros Voluntários da Cruz de Malta

• BVBO       Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais (designação desde 2010: Bombeiros Voluntários do Beato)

• BVCR       Bombeiros Voluntários de Cabo Ruivo

BVCM - Bombeiros Voluntários da Cruz de Malta

 

 

Este CB fundado em 1917 é um caso sui generis, por diferentes razões, no universo a que o presente trabalho respeita. Desde logo por ser o único caso em Portugal em que a designação lhe não confere um carácter territorial específico, nem sequer a sua circunscrição à Cidade de Lisboa…

 

A Entidade-matriz de cujo seio brota (Soberana Ordem de Malta, através da sua vertente do Hospitalário) marcou presença  em diversos pontos do território nacional para além de Lisboa. Relativamente aos BV da Cruz de Malta há indícios da sua presença em Faro, Ponta Delgada e Porto (neste caso através de uma Delegação, pelo menos assim era em 1936). Desconhece-se porém se tal teria dado origem à operação estruturada de meios de socorro, com ou sem viaturas-auto.

 

Há também registo de iniciativas de criação de CBs  ditos da Cruz de Malta nos, ao tempo, territórios ultramarinos de Moçambique e Angola. No primeiro caso há indicação da existência em 1936 de uma Delegação em Porto Amélia (actual Pemba), ignorando-se porém com que âmbito e meios. Quanto a Angola foi organizado em 1967, na Cidade de Luanda, um CB Voluntários com a designação de Cruz de Malta. Foi no entanto recolhido testemunho verbal de que, neste caso, nunca houve lugar à operação de meios de socorro.

 

É interessante notar que aos CB Voluntários pré-existentes na cidade de Lisboa foi atribuída, no contexto da sua articulação com o então BSB, a condição de Secção Auxiliar de Incêndios (1ª, 2ª, 3ª e 4ª, por ordem cronológica de constituição). Porém e diferentemente, os BCVM receberam de início a designação de 1ª Secção Auxiliar de Socorros da Cidade de Lisboa. Esta tipificação diferenciadora, que se aplicou também aos CBs de Beato e Olivais e de Cabo Ruivo nas etapas iniciais de operação dos mesmos, parece indiciar que estes três CBs não estavam vocacionados ou equipados para o combate a incêndios, pelo menos à data da respectiva fundação…Regista-se que, em papel timbrado de 1936, a entidade BVCM se identifica como “Associação Humanitária” e ainda como “Corpo de Saúde”. No seu escudo original, aliás, apenas figura o símbolo da Ordem de Malta e não nenhum dos tradicionais elementos então associados à representação visual dos Bombeiros portugueses (archote, capacete, machado, escada, fénix).

 

Os BVCM tiveram desde sempre uma vocação muito específica na área do Serviço de Saúde (ie: transporte de doentes; socorro a acidentados), com o consequente reflexo nos meios operacionais detidos, incluindo viaturas automóveis. Para além disso este CB chegou a operar 3 postos fixos de cuidados médicos e de enfermagem na cidade de Lisboa (incluindo um no edifício-sede). Destaca-se ainda a operação, em décadas mais recentes, de um posto de socorros móvel em viatura-auto Citroën H (tendo mesmo existido, sucessivamente, duas unidades com a mesma função). Isto à semelhança dos meios operados em épocas próximas pelos BV da Ajuda, Lisbonenses (estes desde 1964) e de Campo de Ourique (estes desde 1962).

 

É de salientar que, nos anos 40 e 50 (porventura mesmo mais cedo) existe abundante  evidência da operação de um pequeno mas completo hospital de campanha móvel, presente em exercícios ou simulacros com especial impacto público no âmbito da então designada Defesa Civil. Nas imagens de época descortina-se uma estrutura-abrigo central, a par de ambulâncias e de viaturas de acompanhamento. Tal é patente, designadamente, em notícias de imprensa datadas de Julho de 1940 e de Setembro de 1941 (exercícios envolvendo medidas de protecção contra a guerra química), o que indicia um especial protagonismo à época deste CB.

 

Neste âmbito salienta-se o caso interessantíssimo de uma viatura Studebaker de caixa aberta, designada por Pronto-Socorro e inaugurada em 1936 após reconversão sob desenho dos BVCM, a qual consiste numa combinação de transporte de pessoal e de ambulância com célula sanitária rudimentar (para 1 paciente em maca). Esta viatura esteve presente no exercício acima referido de 1940, conforme documentado pela imprensa. Na falta de imagem fotográfica cabal (apenas existem vistas parciais) a ilustração gráfica apresentada nesta plataforma simula o que poderia ter sido um tal veículo, de configuração única no panorama dos Bombeiros em Portugal.

 

A aquisição de ambulâncias em época posterior revelaria o cuidado de prever a utilização, se necessário, de 2 macas em cada viatura para transporte em simultâneo de outros tantos sinistrados (e.g. Peugeot D3 e Citroen H,  nos “anos 50”, aqui figuradas).

 

Referª 1: site http://files.cruzdemalta.pt/200000257-9fc89a0c19/Folheto%20Bombeiros%20Malta%20FINAL_Page_2.jpg

Referª 2: F. H. Santos (Coord.); Bombeiros Portugueses-seis séculos de história (2 vols).SNB/LBP, Lisboa 1995

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